Entrevista com Nelson Luiz de Carvalho, autor de O Terceiro Travesseiro.

Autor fala sobre o romance, a continuação da obra e seu novo livro: ‘Willian‘.

Lembro que li “O terceiro Travesseiro”, em 2002. À época, eu lia às escondidas, assim como muitos amigos que nasceram na década de 80. O preconceito era uma questão muito mais forte que atualmente. Mais de 20 anos do lançamento da primeira edição, como você vê a produção literária LGBTQI+ atualmente no Brasil?

Literariamente falando, não consigo classificar um romance por categorias. Há praticamente 20 anos, aprendi com o escritor e jornalista Ignácio de Loyola Brandão, hoje membro da Academia Brasileira de Letras, que “Romance é romance e pronto”. Desde então, apesar da insistência das editoras em classificá-los, eu não os classifico, mas observo de um modo geral, que existem bons livros sim, e também, infelizmente, muita sujeira publicada, pela facilidade das publicações independentes, principalmente pela internet.

O Ignácio, a época, eu na Editora Globo, e ele na direção da Revista Vogue, avaliou, a pedido de um amigo em comum, se O Terceiro Travesseiro deveria ser ou não publicado. Essa dúvida era minha. Tempos difíceis aqueles. Após o crivo do Ignácio, publiquei o livro pela Editora Siciliano, editor Pedro Paulo de Sena Madureira. Hoje, O Terceiro Travesseiro é publicado pelo Grupo Editorial Summus.  

Desde o lançamento, o livro já vendeu milhares de exemplares. Se lançado hoje, acha que o livro teria o mesmo alcance e impacto que teve em 1998?

Acredito que sim, pela veracidade da sua história, mas para isso precisaríamos de um relançamento, com preços mais acessíveis ao público em geral, lembrando que, apesar das últimas gerações não conhecerem o livro, ele continua vendendo em quantidades significativas. Por se um Best-Seller a números americanos, cedo ou tarde, esse relançamento deve acontecer.

Autores como Aldous Huxley não atualizavam os seus livros, pois acreditavam que eram registros do mérito e do demérito do autor, naquele momento. Algumas expressões utilizadas em “O terceiro Travesseiro” caíram em desuso, como é o caso de “opção sexual”. Você pensa em atualizar a linguagem da obra?

Atualizar uma obra significa perder o registro de uma época. Jamais farei isso. Acho importante mantermos a realidade do cotidiano e das expressões de quando tudo aconteceu. Pouco antes dessa Pandemia nos pegar no contrapé, estava junto ao Diretor de teatro Fernando Gomes (Rio de Janeiro) e o roteirista Moisés Bittencourt, definindo o projeto final para a montagem da peça teatral do O Terceiro Travesseiro, que será de época.

Pensa comigo, num dos principais desencontros entre o Marcus e o Renato, a única alternativa para que eles se encontrassem novamente, era um bilhetinho que deveria ser entregue por uma terceira pessoa. Ou seja, com um celular na mão, tudo seria diferente, já que estamos falando de uma história real.

O livro foi baseado numa história real. Você ainda tem contato com os personagens da história?

O Marcus, o Giorgio e o Rafael estão nos meus contatos do WhatsApp, por onde nos falamos vez ou outra, porém, desde o lançamento do livro, me encontro pessoalmente com o Marcus, uma vez por ano, geralmente em dezembro, para um Happy Hour.

Você pensa em fazer uma continuação da história?

Já existe essa continuação, que na verdade são duas. Segunda e Terceira partes. A Terceira parte, na condição de Crossover, será conhecida pelo leitor antes da Segunda Parte. Parece maluco né? Mas ficou bem legal:

A Segunda parte é a continuidade do primeiro livro. A Terceira parte, em crossover com uma nova obra (William), mostra os personagens do O Terceiro Travesseiro nos tempos atuais.

Nessa quarentena, aproveitei para ler novos livros e reler obras como o “O terceiro Travesseiro”. Nesse período de isolamento, o que você tem lido e/ou produzido? Vem vindo algum livro novo por aí? Poderia contar para nós alguma novidade nesse aspecto?

Toda essa tranquilidade me deu a oportunidade de finalizar uma obra do porte de ‘William’ em crossover com O Terceiro Travesseiro, que desde o ano passado não conseguia tempo para terminar, por apresentar características bem diferentes dos livros atuais.

William

Baseado numa história real, ‘William‘ trará ao leitor boa parte do conturbado universo adolescente, não só pelo forte erotismo que apresenta em suas inúmeras possibilidades, mas também por aspectos peculiares de pensamentos que os levam a fazer tão livre caminhada.

Antenado com as mídias sociais, esse romance traz um novo jeito de se contar uma história, fortalecendo assim, a imaginação de quem lê no contexto real de um livro.

Pela roteirização de seus diálogos, os 05 Episódios de ‘William’ sugerem a idealização de 407 cenas (capítulos) distribuídas de forma muito agradável à leitura, não só pelo texto, mas também pelos seus 990 Sketches distribuídos nas 471 páginas da obra.

As obras da Série William 1ª. Temporada está em crossover com a obra
O Terceiro Travesseiro Parte II – (ainda não lançado) pela proximidade de alguns de seus personagens.

Cronologicamente falando, a ideia é relançarmos O Terceiro Travesseiro, não pela minha editora atual, mas para uma que atenda as necessidades de publicidade em redes sociais, bem como a redução do preço final ao consumidor. A publicação do William, do Apartamento 41 e em seguida a parte II do O Terceiro Travesseiro.

Quanto à peça, apesar de já termos a lei Rouanet aprovada, perdemos os patrocinadores até então já confirmados, em função da pandemia, associada ao governo atual.